
Muitas vezes nos pegamos lembrando de coisas que aconteceram
há muito tempo.
Hoje me lembrei dos meus banhos de Igarapé, quando morava no Pará.
Lembrei-me da reserva indígena da qual eu era vizinha.
Lembrei-me também dos funcionários da Funai que tantas vezes dormiam na
fazenda do meu pai, ficavam semanas tentando fazer contato com os índios
Araras. E não sei porque eu ficava feliz quando eles partiam reclamando
do fracasso, eu pensava comigo: Ainda bem, não conseguiram desta vez.
E tudo voltava ao normal, as araras azuis voando baixinho a cada pôr-de-sol,
as palmas de babaçu balançando com o vento e cantando a melodia da
grande floresta entre suas folhas.
Neste tempo eu conversava com os bichos, com as plantas, imitava sabiá
e ele de mansinho pousava na minha mão.
Minha infância foi muito rica, rica de conhecimentos, de valores que hoje
já não vemos mais, eu tive uma infãncia feliz.
Não tinha televisão, nem luz elétrica, mas tínhamos roda de viola com a luz
da lua cheia, com o fogo a crepitar e meu pai cantando Chico Buarque.
Eu tinha minha rede e ouvia novelas de rádio, minha imaginação voava alto.
Estou nostálgica hoje, queria sentir de novo o cheiro daquela terra, das flores
o sabor do açaí ( que lá é roxinho) não parece em nada com essa borra que
servem aqui.
É isso minha gente, vou voltar para mata verdejante, tem um Igarapé me
chamando nos meus sonhos.
Beijos






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