Desejos


25/08/2006


Felicidade

FELICIDADE

Aprisioná-la é Preciso?

Hoje não vou falar das minhas recordações, a primeira temporada da série Recordar é Viver encerrou-se hoje e continua na segunda-feira com muitas emoções, meu primeiro amor, o ataque dos marimbondos assassinos...
Hoje quero deixar uma mensagem, talvez eu não seja a pessoa mais indicada para falar de FELICIDADE, ou talvez eu seja sim, não porque a persigo, ou porque  a almejo, mas porque ela já não é mais minha busca primordial.
Hoje eu quero dizer a quem estiver lendo estas despretensiosas linhas, a felicidade é efêmera, etérea...
Quando imaginamos que ela está ao nosso alcance, ela escapa, ri da nossa cara e diz: Não é isso que necessitas agora...
Não meus amigos, eu não sou uma depressiva, conformada ou covarde.
Apenas aprendi que a felicidade jamais permitirá ser tocada e  ser guardada para sempre nas prateleiras empoeiradas das nossas vidas.
Aprendi que a felicidade vai e vem, ela todo dia passa por nós, só que na ânsia de querê-la toda, ela se vai e sorri.
Pare e reflita se a felicidade já passou por você hoje, creio eu que sim.
Não da forma que desejamos, até porque ela tem muita personalidade, mas passou da forma que achou que deveria.
Na água refrescante que banhou seu rosto esta manhã, no leite  ou no café quentinho que você bebeu antes de pegar no batente, a felicidade também passou por você naqueles cinco minutinhos a mais debaixo do cobertor...
A Felicidade passa por nós a todo instante, mas somos egoístas demais para perceber que ela está sempre do nosso lado...
Pare hoje e respire fundo, olhe ao seu redor, olhe seu filho, olhe para você, olhe dentro de você...
UM FORTE ABRAÇO
Tatiana
  Bom fim de Semana!

Escrito por linda às 10h35
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24/08/2006


A Série

 

 

Com vocês minha companheira destas cenas

A VACA

Recordar é Viver...
A série

Retornando nossa história nos tempos idos de 1987, fui então morar com um casal de alemães já idosos, aceitaram que eu morasse com eles para que  eu pudesse continuar meus estudos e também porque os ajudaria nas tarefas do dia-a-dia, estava com 11 anos e seu Heraldo começou a me explicar o que eu iria fazer.
-Você menina vai ordenhar logo cedo, para isso é preciso acordar ás 4:00 hs e ir direto para o curral. Eu vou com você amanhã para te ensinar, depois isso ficará por sua conta. Quando terminar a ordenha, traga o leite, pegue o cavalo e leve o rebanho para o pasto, depois é preciso colocar Sal para os reprodutores.
Aqueles Touros ali ó... ( Verdadeiros monstros, enormes, com aquele cupim balançando de lá pra cá, de cá pra lá)
Você coloca sal no cocho para eles ruminarem.
Eu só consegui dizer:- Tudo bem.
O galo cantou uma, duas, três vezes, escutei as batidas na porta do meu quarto,
-Vamos menina, tá na hora.
Levantei, me vesti, calça, bota, passei a mão no chapéu e no facão.
A esta altura já tinha virado roceira das boas.
Aprendi a ordenhar, o que achei muito fácil, a coisa complicou depois, tinha que levar o gado para o pasto, seu Heraldo me ajudou.
-Óia, vai conversando com eles, que eles te obedece...
Pois é, assim  desenvolvi minha dialética bovina que não passava de EIIIIA, eiaaa boi...kkkkkkkk
Colocar sal no cocho, também teria sido fácil se eu não tivesse encontrado no meio do pasta uma vaca (em todos os sentidos minha gente) parida.
Não demorou para que eu estivesse correndo, pulando, saltando e a vaca atrás...
Me enfiei embaixo da cerca de arame farpado, algumas escoriações, vários pedaços de tecido da roupa e epidérmico também, mas enfim salva!
Cheguei na casa completamente esfarrapada e puxando o cavalo que graças a Deus era mansinho e não saiu enlouquecido quando a vaca quis me assassinar.
Seu Heraldo olhou para mim e sorriu: É fia você leva jeito, não se esqueça que depois da escola é preciso recolher o rebanho e separar os bezerros, aí você faz outra ordenha e pronto, pode se banhar e jantar.
DUAS VEZES POR DIA!!!
Sentei e comecei a chorar, ele se aproximou, colocou as mãos na minha cabeça e disse:
-Um dia fia, isso tudo aqui vão ser só lembranças, então você vai agradecer porque nada na vida vai te assustar, você vai ficar forte, tudo isso que está acontecendo agora fia, vai servir para fazer de você uma pessoa  melhor
amanhã.

(pronto, já estou chorando)
Seu Heraldo e Dona Maria Henchen, agradecerei eternamente por tudo!!!
Vou colocar fotos minhas desta época no blog.
 
Beijos

Escrito por linda às 09h01
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23/08/2006


Recordar é Viver

Com vocês o CACAUEIRO

The Lord of Chocolat

Recordar é Viver
A SÉRIE

Prometi revelar a vocês qual seria a minha incumbência dentro da mata.
Depois de construída a casa, começamos a preparar a terra para o plantio das sementes. Nossa plantação seria de cacau, até aí tudo bem, só que eu não imaginava que aquelas sementes dariam tanto trabalho, enche saquinho com terra, põe a semente, enche saquinho, põe a semente e assim preparamos as primeiras 6.000 mudas(seis mil saquinhos).
Rega, olha, vê crescer, espera o tempo certo para plantar, a muda tem que atingir uma altura ideal.
Transporta, olha a bacia entrando em ação...
Tranporta na cabeça, abre buraco, enfia no chão...
Pois bem participei de todo esse processo, depois de tudo pronto  perguntei para o meu pai: Pronto e agora?
Ele respondeu: Agora esperamos só três anos para começar a colher.
Meninos eu vi!!! E ouvi!!!
Três longos anos de espera, foi o tempo que precisei para terminar a minha 4º série, só que aonde morávamos não tinha o ensino fundamenta(antigo ginásio).
Meu pai então me matriculou numa escola no km80, 10km longe da minha casa
quando dava para ir à cavalo era uma beleza, quando não era 10km pra ir 10km pra voltar...
Não consegui segurar o rojão por mais de 3 meses, então ele arrumou uma casa aonde eu pudesse morar e estudar, voltando para a minha casa a cada 15 dias.
Este lugar aonde fui viver era muito bom,uma família de alemães.
Seu Heraldo e Dona Maria Henchen, nunca vou esquecê-los...
Lá eu tinha as minhas obrigações e entre elas, eu teria que ordenhar... Riam de antemão porque no próximo episódio vou contar a minha aventura em meio ao gado, esse foi o meu trabalho mais ardúo e difícil, mas que
me ensinou muito sobre a vida.
Aguardem...

Beijos

Escrito por linda às 12h53
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22/08/2006


A série continua

Com vocês a TRANSAMÂZONICA

Foto recente de maio de 2005

Recordar é Viver Parte II

Sabendo que deixei no ar várias indagações hoje vou revelar um pouco mais  da minha vida na imensa floresta.
Meu pai vendo que não adiantaria colocar uma bacia de roupa na minha cabeça, resolveu que eu iria acompanhá-lo até a roça. A roça ficava a 36km da Agrovila e teríamos que ir a pé.
Meu pai anda rápido(até hoje) e disse que poderíamos fazer o percurso em 7 horas de caminhada parando para descansar.
Muito bem, meu espírito aventureiro ficou aguçado, mal sabia eu que estrada mesmo só encontraríamos nos primeiros 10km, o restante do percurso, era uma picada na mata. Picada mesmo, um pé na frente, outro atrás.
Mata fechada de um lado, mata fechada de outro, rio sem ponte, lugares aonde nenhuma mulher(isso mesmo nenhuma) tinha ousado adentrar.
Eu tinha apenas 8 anos...
Que maravilha, quanta natureza, que beleza( esse era meu pensamento nos primeiros 5km) depois a coisa ficou complicada.
A estrada sumiu e dá-lhe pular tronco de arvóre, se desembaraçar de cipó, atravessar igarapés cheios, ouvir os urros das onças pintadas.
O lugar era mata virgem, intocada, as primeiras pessoas a chegarem lá fomos nós( eu, meu pai, meu avô, meus tios e um senhor chamado Valdir)
Nem mesmo a Funai havia chegado neste lugar isolado da civilização.
De repente paramos, eu já estava semi-viva, não sentia mais os pés, nem as pernas, a cabeça zunia, um calor horrível tomava conta de tudo.
Ouvi meu pai dizer:- Chegamos, esse é o nosso lote.
Olhei meio sem acreditar, mato, mato, floresta, floresta...
Indaguei:- Aonde está a casa?
Meu pai respondeu na maior naturalidade: Não tem, ainda vamos construir.
Ria caro leitor, pode rir, eu faria o mesmo.
Corta com facão aqui, derruba com moto-serra ali, trança algumas palhas de
Babaçu, um tronco lá, outro aqui, cobre tudo com palha, um bloco de barro serve de fogão...
Meu pai todo sorridente diz:- Pronto filha essa é a nossa casa.
Pelo menos eu já sabia como viveram os bandeirantes.

(No próximo capítulo conto qual foi o meu trabalho)
Isso aqui tá ficando melhor do a que tal novela Páginas da Vida...rsrs

Escrito por linda às 08h26
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21/08/2006


Recordar é viver

 

Mais uma da série RECORDAR É VIVER...

Lembrei-me hoje de uma história em que eu mesma(mesminha)
 sou a principal protagonista.
Transamâzonica, km 70 Agrovila Jorge Bueno da Silva.
Agrovila é um aglomerado de casinhas de madeira construídas a 1.50m do
chão devido ao solo encharcado do lugar.
Este pequeno vilarejo de 50 casas era a CIDADE, sem energia elétrica,
sem hospitais, sem delegacia, nenhum tipo de infra estrutura.
Eu, menina da cidade me deparei com um cenário intrigante na minha chegada.
Várias meninas com idade entre 6 e 14 anos, descendo uma rua
com bacia cheias de roupa e louça equilibradas na cabeça.
Achei estranho e perguntei para o meu pai, porque elas estavam carregando
tanto peso, senão tinham pai, ou mãe, e porque não lavar em casa...
Ele riu e disse que eu também teria que me adaptar aquela vida, porque todas
as meninas cuidavam da casa enquanto os pais trabalhavam na roça.
Tentei me imaginar carregando aquela bacia, então comecei a ter uma crise
nervosa, olhei para um lado só mata, olhei para outro mata também, logo abaixo
a Transamâzonica, mais acima as meninas magrelas com as imensas bacias.
Pensei comigo: Fui raptada, este sujeito não deve ser o meu pai...
Comecei a gritar, olhava para ele e gritava: Você não é meu pai..
E ele tentando me acalmar, sem sucesso é claro!
No fim só me acalmei quando vi meu avô, correndo de encontro a mim e
me apertando em seus braços.
Meu pai roxo de vergonha depois do meu escândalo( que não foi por menos né?)
prometeu-me que eu não carregaria bacia de roupa ou louça.
Alívio puro...
Mal sabia eu que o meu trabalho seria outro e que eu ainda iria pedir para
carregar a bacia cheia de louça e roupa para o rio.

Mas essa é outra história.
Beijo
 

Escrito por linda às 08h41
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